A
defumação na História
Por Eugênio Carlos
Ninguém
sabe quando a humanidade começou a usar as plantas aromáticas.
Estamos razoavelmente seguros de que os sentidos do homem antigo eram
bem mais aguçados, e o sentido do olfato foi crucial para sua
sobrevivência. Há evidência do período Neolítico
de que ervas aromáticas eram usadas em culinária e medicina,
e que ervas e flores eram enterradas com os mortos. A fumaça
ou fumigação foram provavelmente um dos usos mais antigos
das plantas, como parte de oferendas rituais aos deuses. Era provavelmente
notado que a fumaça de várias plantas aromáticas
tinha, entre outros, efeitos alucinógenos, estimulantes e calmantes.
Gradualmente, um conjunto de conhecimentos sobre as plantas foi acumulado
e passado a centenas de gerações de xamãs.
Os seres
humanos tem uma ligação muito forte com as plantas.
As plantas aromáticas têm sido honradas de um modo especial
desde os tempos antigos. Eram utilizadas em rituais religiosos e mágicos,
assim como nas artes curativas. Estas três práticas eram
fundamentais para a existência humana (ainda hoje continuam
sendo).
As grandes
civilizações desaparecidas do Oriente Médio e
do Mediterrâneo glorificavam os aromas, que faziam parte de
suas vidas. Creio que conhecer um pouco da história dos aromas
e da defumação mágica, é uma introdução
adequada para sua prática.
Descendentes
de Atlântida
Há
4000 anos, existia uma rota de comércio onde se cruzavam as
culturas mais antigas do Mediterrâneo e da África. Através
dela, acontecia o comércio e troca de diferentes mercadorias
como por exemplo: ouro, olíbano, temperos e especiarias em
geral; conseqüentemente, trocavam conhecimentos de suas diferentes
culturas. E foi bem no meio desta rota que nasceu a maior civilização
desta época: "O Egito".
A antiga
civilização do Egito era devotada em direcionar os sentidos
em direção ao Divino. O uso das fragrâncias era
muito restrito. Inicialmente, sacerdotes e sacerdotisas eram as únicas
pessoas que tinham acesso a estas preciosas substâncias. As
fragrâncias dos óleos eram usadas em perfumes, na medicina
e para uso estético, e ainda, para a consagração
nos rituais. Eram queimados como incenso. Sobre as paredes das tumbas
dos templos antigos perdidos no deserto, há um símbolo
que aparece com freqüência que parece uma fumaça
que sai dele mesmo. Isto confirma que no Egito se utilizava o incenso
desde tempos antigos. Quando o Egito se fez um país forte,
seus governantes importaram de terras distantes incenso, sândalo,
mirra e canela. Esses tesouros aromáticos eram exigidos como
tributo aos povos conquistados e se trocavam inclusive por ouro. Os
faraós se orgulhavam em oferecer às deusas e aos deuses
enormes quantidades de madeiras aromáticas e perfumes de plantas,
queimando milhares de caixas desses materiais preciosos. Muitos chegaram
a gravar em pedras semelhantes façanhas.
Os materiais
das plantas aromáticas eram entregues como tributos ao estado,
e doados a templos especiais, onde se conservavam sobre altares como
oferendas aos deuses e deusas. Todas as manhãs as estátuas
eram untadas pelos sacerdotes com óleos aromáticos.
Queimava-se muito incenso nas cerimônias do templo, durante
a coroação dos faraós e rituais religiosos. Queimava-se
em enterros para extrair do corpo mumificado os espíritos negativos.
Sem dúvida
o incenso egípcio mais famoso foi o Kyphi. O Kyphi se queimava
durante as cerimônias religiosas para dormir, aliviar ansiedade
e iluminar os sonhos.
Os
Sumérios e os Babilônios
É
difícil separar as práticas destas culturas distintas
já que os Sumérios tiveram uma grande influência
dos babilônios, e transcreveram muita da literatura dos seus
antepassados para o idioma sumério. Sem engano sabemos que
ambos os povos usavam o incenso. Os Sumérios ofereciam bagas
de junípero como incenso à deusa Inanna. Mais tarde
os babilônios continuaram um ritual queimando esse suave aroma
nos altares de Ishtar.
Tudo
indica que o junípero foi o incenso mais utilizado, eram usadas
outras plantas também. Madeira de cedro, pinho, cipreste, mirto,
cálamo e outras, eram oferecidas às divindades. O incenso
de mirra, que não se conhecia na época dos Sumérios
foi utilizados posteriormente pelos babilônios. Heródoto
assegura que na Babilônia queimaram uma tonelada de incenso.
Daquela época nos tem chegado numerosos rituais mágicos.
O Baru era um sacerdote babilônio esperto na arte da adivinhação.
Acendia-se incenso de madeira de cedro e acreditava-se que a direção
que a fumaça levantava determinaria o futuro, se a fumaça
movia-se para a direita o êxito era a resposta, se movia-se
para a esquerda a resposta era o fracasso.
Os
gregos e romanos
Estes
povos acreditavam que as plantas aromáticas procediam dos deuses
e deusas. O povo chegou a consumir tantos materiais aromáticos
para perfumar-se que no ano de 565 foi decretada uma lei que proibia
utilizar essenciais aromáticas pelas pessoas com temor de não
ter suficiente incenso para queimar nos altares das divindades.
Nativos
americanos
Os nativos
americanos vivem em harmonia com a terra, reverenciam-na como geradora
de vida. Os nativos americanos desde muito tempo tem conhecido o valor
e poder de cura das plantas de poder, usadas em tendas de suor, dança
do tambor etc. Queima se sálvia, cedro e resinas para limpeza
de objetos de poder. É usada para a saúde e o bem estar
de sua tribo.
Incenso
do Templo
Desde
épocas mais antigas, as substâncias aromáticas
naturais de plantas tem um papel vital na vida diária dos povos.
Estas ligações vitais entre povos e plantas perderam-se,
e muitos de nós perdemos o toque com a terra e com nosso próprio
estado de saúde.
De acordo
com o Zohar, oferecer incenso é a parte a mais preciosa do
serviço do templo para os olhos do grande deus. Ter a honra
de conduzir este serviço, é permitido somente uma única
vez na vida. Diz-se que quem teve o privilégio de oferecer
o incenso está recompensado pela sorte com riqueza e prosperidade
para sempre, neste mundo e no seguinte.
Eugênio
Carlos é especialista em incensos e historias dos povos
e seus usos mágicos com as ervas.
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